A política social que o Brasil esqueceu

No Brasil, sempre que falamos em política social pensamos imediatamente em programas de transferência de renda. Eles são importantes para proteger quem está em situação de vulnerabilidade. Mas existe uma pergunta mais profunda que o país precisa enfrentar: qual é a política social capaz de mudar estruturalmente o futuro do Brasil?

Na minha visão, duas agendas são centrais para essa transformação: responsabilidade fiscal e uma reforma administrativa séria no Estado brasileiro.

Hoje o orçamento federal gira em torno de R$ 3 trilhões por ano, mas apenas cerca de R$ 90 bilhões são destinados a investimentos, aqueles que constroem o futuro do país, como infraestrutura, tecnologia e aumento de produtividade.

A maior parte do orçamento está comprometida com despesas obrigatórias, como previdência, folha do funcionalismo e pagamento de juros da dívida, que sozinho consome aproximadamente R$ 1 trilhão por ano.

Esse desequilíbrio revela um problema estrutural: o Brasil gasta muito para sustentar o presente e investe pouco para construir o futuro.

O resultado é um país que convive com uma das maiores desigualdades de renda do mundo fora da África. Combater essa desigualdade exige mais do que ampliar gastos. Exige criar igualdade de oportunidades, com crescimento econômico, investimento e geração de empregos.

Ao longo das últimas décadas, o Brasil também criou uma forte dependência de programas sociais que aliviam a pobreza no curto prazo, mas muitas vezes não promovem autonomia no longo prazo. A verdadeira política social precisa ser emancipadora.

Para isso, o Estado precisa funcionar melhor. A reforma administrativa deve valorizar o espírito público, com mecanismos de avaliação de desempenho, incentivos à produtividade e foco em resultados para a sociedade.

Outro dado preocupante é que hoje as emendas parlamentares já superam o próprio orçamento destinado a investimentos estruturantes, o que mostra como o país perdeu capacidade de planejamento estratégico.

Por isso insisto em um ponto central: responsabilidade fiscal não é apenas uma agenda econômica, é uma das maiores políticas sociais que um país pode ter.

Um Estado equilibrado consegue investir mais, crescer mais e gerar mais oportunidades.

No final das contas, a pergunta é simples: queremos um país que administre a pobreza ou um país que construa prosperidade?

Porque o melhor programa social é aquele que cria oportunidades para que as pessoas não precisem depender permanentemente de programas sociais.

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