O debate sobre o papel do Estado na economia volta ao centro da discussão nacional diante dos resultados recentes das empresas estatais brasileiras. Em 2025 e no início de 2026, o prejuízo dessas empresas voltou a crescer de forma preocupante, reacendendo uma pergunta essencial: é realmente necessário que o Estado mantenha tantas estatais?
Os números ajudam a entender o problema. Em 2025, o rombo das empresas públicas ultrapassou R$ 20 bilhões, e um dado chama atenção: apenas quatro estatais concentraram cerca de 95% de todo o prejuízo, o equivalente a quase R$ 19 bilhões. Estamos falando de recursos que deixam de ser investidos em áreas prioritárias como saúde, educação e segurança pública.
Para dimensionar esse impacto, basta uma comparação simples: com R$ 20 bilhões, seria possível construir aproximadamente 500 hospitais de alta complexidade (considerando cerca de R$ 40 milhões por unidade) ou pavimentar mais de 10 mil quilômetros de rodovias. Em um país com tantas carências estruturais, cada real desperdiçado tem um custo social enorme.
A diferença entre empresas públicas e privadas nesse cenário é clara. Quando uma empresa privada erra, o prejuízo recai sobre seus acionistas. Já nas estatais, quando há má gestão ou decisões equivocadas, quem paga a conta é o contribuinte — mesmo que ele nunca tenha utilizado o serviço daquela empresa. Na prática, isso significa mais pressão por aumento de impostos, cortes em serviços essenciais ou ampliação da dívida pública.
Esse ciclo se perpetua por um motivo central: a ausência de incentivos claros à eficiência. Sem metas rigorosas, governança sólida e responsabilização efetiva, muitas estatais operam com custos elevados e baixa entrega de resultados. Não se trata apenas de ideologia, mas de lógica econômica e responsabilidade com o dinheiro público.
Diante desse cenário, é legítimo questionar o tamanho e o papel do Estado empresário no Brasil. Faz sentido que o governo atue em setores estratégicos, especialmente onde há falhas de mercado ou interesses nacionais relevantes. No entanto, manter uma estrutura ampla e pouco eficiente de estatais não parece ser o caminho mais produtivo.
Uma alternativa moderna e responsável passa por três frentes. Primeiro, a redução do número de estatais, com privatizações criteriosas, especialmente em setores competitivos. Segundo, o fortalecimento de parcerias público-privadas (PPPs), que permitem ao Estado garantir serviços de qualidade sem assumir integralmente os riscos da operação. E terceiro, a implementação de uma governança por resultados nas empresas que permanecerem sob controle estatal.
Isso inclui transformar estatais em sociedades de capital aberto, com maior transparência, fiscalização de mercado e metas claras de desempenho. Nesse modelo, a eficiência deixa de ser opcional e passa a ser uma exigência.

Deixe uma resposta